Colaboração premiada de Lúcio Funaro tem potencial para explodir Michel Temer

Conforme Verbi Gratia adiantou, Lúcio Bolonha Funaro surtou na cadeia depois das colaborações dos executivos da J&F.

Com o aval de Michel Temer, Lúcio Funaro era mantido em silêncio na prisão na base do “alpiste”, nome dado à propina que era paga por Joesley Batista para manter calados na cadeia Eduardo Cunha e Lúcio Funaro.

Depois da colaboração premiada dos executivos da J&F, o “alpiste” deixou de ser pago, Funaro se apressou para falar.

Lúcio Funaro já ensaiava se oferecer para fazer um acordo de colaboração com o Ministério Público Federal desde que foi preso, em 1º de julho de 2016, na Operação Sépsis, mas sempre desistia, agora sabemos qual era o motivo das inúmeras vezes em que recuou, era por causa do “alpiste”.

“Tem que manter isso, viu?”, afirmou Michel Temer sobre manter o repasse da propina cala-boca para Eduardo Cunha e para Lúcio Funaro,  na conversa que teve nos porões do Palácio do Jaburu na calada da noite com Joesley Batista.

As informações de Lúcio Funaro tem potencial para arrancar a cabeça do presidente Michel Temer e para enviar muitos amigos e colaboradores do presidente para a cadeia.

Lúcio Funaro, sabia que estava sendo investigado e que cedo ou tarde cairia nas mãos da polícia, então resolveu contratar um especialista em tecnologia da informação formado em Israel, para fazer uma varreduras em todos os seus apetrechos e de seus familiares.

Computadores, celulares e tablets foram rastreados em busca de eventuais escutas e interceptações.

Embora não contasse com as colaborações dos executivos da J&F atravessando seu caminho, Funaro se preparou para ser preso e para se defender, considerado metódico e organizado, passou a registrar, armazenar e catalogar todos os contatos, reuniões, encontros que fez desde 2014 com agentes públicos e privados, incluindo e-mails, telefonemas e mensagens de celular.

Desde 2014, Funaro passou a gravar todos os frequentadores de seu escritório em áudio e vídeo, ele tem mais de 18 meses de gravações e um arsenal de outras provas e está disposto a entregar tudo às autoridades em troca de obter penas mais brandas.

Lúcio Funaro tem muito a relatar. As investigações realizadas em pelo menos três operações da Polícia Federal, envolvem os presos Eduardo Cunha e Lúcio Funaro, e os investigados Geddel Vieira Lima e Michel Temer.

A Polícia Federal descobriu que a Viscaya Holding, de Lúcio Funaro, recebeu mais de R$ 12 milhões de empresas beneficiadas por recursos do FI-FGTS entre abril de 2012 e maio de 2013.

Os repasses para a empresa de Funaro ocorreram no mesmo período em que Funaro, Cunha, Geddel e Cleto trocaram mensagens sobre as tratativas de liberação dos financiamentos do FI-FGTS, administrado pela Caixa.

Numa dessas mensagens, Lúcio Funaro chama Geddel Vieira de “boca de jacaré para receber e carneirinho para trabalhar”, e diz que Geddel é um “porco” e “um folgado do caralho” e avisa a Fabio Cleto que pode queimar Geddel com Michel Temer, deixando clara a posição de comando ocupada por Michel Temer no grupo criminoso.

Trecho da conversa interceptada pela Polícia Federal:

Funaro: Me faz um favor liga p geddel e ve em qual e mail ele quer que vc passe isso ou pra quem vc entrega que se ele nao resolver vou fuder ele no Michel. Esse porco e um folgado do caralho

Cleto: Vi, Foi mandado pra minha caixa e pra do geddel. Ja encaminhei pro email institucional da arca do geddel, com medo que ele nem veja o email. E ja pedi pra secretaria dele encaminhar.

Do total de recursos repassados por empresas beneficiadas com recursos do FI-FGTS para a Viscaya Holding, de Lúcio Funaro, mais de R$ 6,7 milhões foram pagos pela J&F Investimentos S.A., via Banco Original, R$ 1,25 milhão saiu da Eldorado Brasil Celulose e R$ 2,38 milhões foram pagos pela Contern Construções, empreiteira do grupo Bertin – frigorífico comprado pela JBS.

A Polícia Federal suspeita que os R$ 300 mil de Valdir Piran, dono da Piran Factoring, também tenha origem no grupo J&F.

Lúcio Funaro é investigado em pelos menos três operações que se desdobraram da Operação Lava Jato e essas investigações desembocam direto no birô de Michel Temer.

Operação Sépsis

A Polícia Federal deflagrou a Operação Sépsis, em 1/7/2016, um dos alvos era a J&F, holding que controla as empresas JBS, Alpargatas, Vigor, Eldorado Brasil, Banco Original, Oklahoma e Canal Rural.
A J&F foi citada na delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa, Fábio Cleto, que delatou que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recebeu propinas em 12 operações de grupos empresariais que obtiveram aportes milionários do FI-FGTS, entre eles a J&F.

O operador de Eduardo Cunha era Lúcio Funaro, que foi preso na Operação Sépsis, ele ameaça delatar e afirma ter mais de 18 meses de gravações dos frequentadores de seu escritório.

A Viscaya Holding, de propriedade de Lúcio Funaro, recebeu mais de R$ 12 milhões de empresas beneficiadas com recursos do FI-FGTS entre abril de 2012 e maio de 2013. Esse período corresponde, de acordo com as investigações, com o período em que Cunha, Funaro e Geddel trocaram mensagens para tratar da liberação dos financiamentos da Caixa (FI-FGTS). Desse valor repassado para Funaro, mais de R$ 6,7 milhões foram pagos pela J&F Investimentos S.A., via Banco Original, R$ 1,25 milhão via Eldorado Brasil Celulose e R$ 2,38 milhões via Contern Construções, do grupo Bertin, comprado pela JBS.

Operação Greenfield

A Operação Greenfield, deflagrada no dia 5/9/2016 pela Polícia Federal, teve como um dos alvos o grupo J&F, a holding que controla a JBS e o Banco Original, cujo conselho consultivo foi presidido por Henrique Meirelles de 2012 até maio de 2016, quando deixou a holding para assumir o Ministério da Fazenda.

A Operação Greenfield investiga fraudes bilionárias nos fundos de pensão de empregados de empresas estatais, Petros (Petrobrás), Funcef (Caixa), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios).

Operação Cui Bono

Em 13/1/2017, a Polícia Federal deflagou a Operação Cui Bono e teve entre os alvos, Geddel Vieira Lima. Mensagens trocadas entre Funaro e Cleto recuperadas nessa operação são reveladoras, sugerem que Michel Temer era o chefe do esquema montado para desviar recursos do FI-FGTS, cujo vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013, era Geddel.

 

“Me faz um favor liga p Geddel e vê em qual email ele quer que vc passe isso ou pra quem vc entrega que se ele não resolver vou fuder ele no Michel. Esse porco e um folgado do caralho.”

As três operações, Sépsis, Greenfield e Cui Bono, investigam um esquema de corrupção gigantesco que, segundo os investigadores, envolve cerca de 1 trilhão de reais em recursos públicos, entre recursos do FGTS e de fundos de pensão.

Lúcio Funaro negocia um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal e promete entregar todo mundo.

No Anexo 2 da proposta colaboração de Funaro, ele promete apresentar provas, extratos bancários, data, hora e nomes de laranjas de Temer que receberam dinheiro de propina para o presidente, em transferências bancárias e dinheiro vivo e explicar o papel que de Michel Temer exercia no grupo formado por Cunha, Geddel, Meirelles, Moreira Franco, Padilha, Yunes, Joesley e outros.

Lúcio Funaro disse às autoridades que a partir de 2011 Michel Temer passou a comandar o esquema da Caixa Econômica Federal, seus indicados liberavam os financiamentos do FI-FGTS em troca de propina para o PMDB, Michel Temer, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e tantos outros correligionários de Temer, esses repasses de propina eram feitos por meio das empresas de Funaro.

Lúcio Funaro pretende contar detalhes de como o então vice-presidente, Michel Temer, atuava junto ao Banco Central para favorecer o banco BVA (faliu em 2014).

O BVA de José Augusto Ferreira dos Santos era usado pelos caciques do PMDB como lavanderia do partido. José Augusto Ferreira dos Santos é o amigo de Edison Lobão envolvido no mega escândalo revelado pela investigação jornalística internacional Panama Papers. Ferreira é sócio de João Henriques, operador do PMDB, em uma offshore e em uma conta na Suíça.

Funaro disse que vai apresentar também provas de pagamentos de propina que fez via caixa 2 para Moreira Franco, o general do governo Temer.

Funaro promete revelar o esquema de Moreira Franco com André Luís Marques de Barros, o Bocão, diretor da Infraero, indicado de Eduardo Cunha, para favorecer empresas aéreas e Paulo Skaf, quando Franco era ministro da Aviação.

Os executivos da JBS, em colaboração premiada, revelaram o pagamento de mais R$ 50 milhões de propina em troca dos recursos obtidos na Caixa e no FI- FGTS.

Lúcio Funaro afirma ter filmagens de todas as entregas de propina em dinheiro vivo feitas no seu escritório em São Paulo, que há cópias dessas gravações espalhadas e guardadas em locais seguros, como garantia de sua vida, e que as imagens seriam divulgadas caso aconteça algum atentado contra a sua vida ou de seus familiares.

O advogado Figueiredo Basto tem procuração de Lúcio Funaro para tratar do acordo de colaboração premiada com o MPF.

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